Beatriz Freire: a força propulsora do programa “Minha Paraíba”
setembro 27, 2026Sou um aficionado por imagens locais nos nossos meios de produção audiovisual, notadamente a televisão, desde o dia 8 de setembro de 1963 quando a TV Borborema de Campina Grande entrou no ar. Tinha dez anos de idade e ficava hipnotizado, juntamente com o meu irmão Rômulo, vendo as paisagens familiares da cidade dentro daquela caixa mágica onde antes só se via as ruas, rios, pontes, edifícios e personagens da cidade do Recife (via TV Jornal do Commercio e TV Rádio Clube).
Daquele já distante século 20 para hoje muita coisa mudou, o número de emissoras locais se multiplicou e a produção local ganhou mais espaço, sucedendo para sempre as pretéritas paisagens e pessoas do nosso vizinho Pernambuco.
Lembro com saudade da pioneira série “A Paraíba e seus Artistas”, produzida pela Rede Paraíba nos anos 1980. A criação de Romulo Azevedo rendeu 6 episódios roteirizados, dirigidos, editados e apresentados pelo próprio Romulo, enfocando a vida e a obra de Antônio Barros e Céceu, Jakson do Pandeiro, Genival Lacerda, Abdias, Zé Calixto e Sivuca.
Um dos programas locais deste século 21 que me fisgou de primeira, me arrastando para a frente da TV como um imã, tem o cativante nome de “Minha Paraíba”, e é comandado por Beatriz Freire.
Devo dizer de saída que a jovem apresentadora Beatriz Freire tem uma espontaneidade espontânea, permitam-me o pleonasmo que nesse caso se acomoda perfeitamente como palitos de fósforo na caixinha.
Ela é graciosa, talentosa, esbanja charme e consegue uma empatia quase que instantânea com os espectadores, como se diz no jargão dos estúdios, “a câmera gosta dela”. E isso é visível à primeira vista.
Mas, não é só uma questão de beleza natural. Na televisão brasileira o que conta é estampa e conteúdo (nessa ordem), Beatriz tem os dois requisitos de sobra. A televisão, quer seja no estúdio, ou dentro de um carro, avião, barco ou simplesmente no meio da rua, é seu habitat natural. A expressão “nasceu para isso”, neste contexto, não é lugar-comum, é fato.
A série de programas que apresentou até agora nas tardes de sábado da Rede Paraíba, é irretocável: produção competente, texto, imagens, trilha-sonora e edição esmeradas. Além disso a linguagem preserva nosso sotaque e nosso vocabulário incluindo gírias e solecismos, essa escolha funciona como um tempero especial que reforça a originalidade de cada episódio.
A rica, e bonita, paisagem geográfica do nosso Estado enriquece muito as imagens do programa, sem contar com os personagens humanos, mulheres e homens que com suas histórias de vida, trabalho, arte, religiosidade, festas e tradições são a cereja do bolo da atração.
O espectro de conteúdo é bem amplo e não se restringe àquela visão lúdica e telúrica que tende sempre a um reducionismo anacrônico que insiste em representar o todo pela parte. Não. Num programa recente, por exemplo, o tema foi a edição do Imagineland On The Road em Campina Grande. Naquele cenário contemporâneo da cultura geek, onde fantasia, aventura, jogos, HQ, performance, filmes, séries e tecnologia se fundem e se projetam no écran do futuro, Beatriz surfou entre os estandes e participantes numa desenvoltura natural com direito até a entrevista em inglês com Walter Jones, o eterno Ranger Preto original de Power Rangers.
É gratificante ver uma produção local apresentar um nível de profissionalismo que nada fica a dever às produções dos grandes centros televisivos do País. O qualificativo brilhante é, para mim, a melhor forma de classificar o “Minha Paraíba”, parabéns a toda equipe e que sua trajetória seja duradoura.


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